|
Construindo o futuro
Sabe-se que Beit Knesset é também um lugar de reunião onde a comunidade se encontra. Sendo assim, quando uma comunidade muda de bairro ou cidade, é importante que se construa outra sinagoga que é a maneira dela continuar a manter o seu núcleo. “Se não tivéssemos construído a Congregação Monte Sinai, não existiríamos mais como comunidade”, diz Meyer Yhouda Nigri.
“Existe muita união, que é o trabalho de nossos pais e avós. Cada um sente a Monte Sinai como um pedaço dele”, diz Carlos Kibrit. O estágio atual a que chegou a Monte Sinai é fruto tanto do trabalho dos dez fundadores, que empreendeu a construção da sinagoga da Rua Piauí e alicerçou suas bases comunitárias como das gerações que assumiram a direção da Congregação.
Em 1983, o grupo dos dez fundadores chegou à conclusão de que estava na hora de entregar a direção da sinagoga aos mais jovens, conta Meyer Yhouda Nigri, que foi o primeiro presidente da nova geração. Eles chamaram de 15 a 20 jovens na faixa de 30 a 40 anos e ficaram alguns meses discutindo como seria a transição.
Por sugestão de Gabriel Zeitune, decidiu-se fazer uma experiência de seis meses a um ano, passando informalmente o comando aos mais jovens, mas mantendo-se todos os cargos de diretoria com os fundadores. Após seis meses ficou claro que os mais jovens tinham condições de assumir formalmente a diretoria e Meyer Yhouda Nigri, que coordenava o grupo, foi eleito presidente.
O primeiro objetivo da nova diretoria foi “dar vida a sinagoga”. Era necessário o crescimento tanto na parte religiosa quanto na parte comunitária.
Jacob Cohen tornou-se um dos mais assíduos freqüentadores, abrindo e fechando a sinagoga para as rezas todos os dias. Acabou tornando-se o chazan e o gabai da Congregação. Através de seu esforço conseguiu formar minian pela manhã e a tarde.
“O grupo dos fundadores da Congregação Monte Sinai teve a visão futurista de engajar os jovens, já na quarta geração da nossa comunidade, para gerenciar a sinagoga”, diz Carlos Kibrit. Os jovens transformaram a entidade em uma “empresa”, equacionando seus problemas administrativos e consolidando-a.
Como conseqüência deste trabalho bem sucedido, muitos integrantes da Monte Sinai começaram a ser chamados para ocupar cargos de destaque, ao nível de diretoria e presidência, nas entidades da comunidade judaica em São Paulo.
“Os jovens foram capazes de projetar o nome da Congregação em todo o Brasil e em outros países”, diz Joseph Meyer Nigri.
Elias Victor Nigri e Meyer Yhouda Nigri foram Presidentes do Fundo Comunitário; Mercedes Politi foi Presidente da Wizo, Teresa Marco Nigri foi Presidente do Colégio Bialik e Lílian Czeresnia Nigri foi Presidente da Divisão Feminina do Fundo Comunitário. Lea Sayeg Hecht foi Presidente da N´amat Pioneiras.
Entre as primeiras decisões da gestão de Meyer Yhouda Nigri, esteve a de contratar um rabino. Historicamente, todo o serviço religioso era conduzido por integrantes da própria comunidade. O primeiro rabino profissional contratado pela comunidade, Rabino Isaac Michaan, chegou a Congregação Monte Sinai em 1985.
“A Congregação Monte Sinai é uma entidade de ponta, atuando no futuro e com uma âncora no passado, mas sempre com muito dinamismo” afirma Carlos Kibrit. Atuar ao mesmo tempo no passado e no futuro; este parece ser o segredo do sucesso. No cotidiano da vida da comunidade, isto significa conjugar a reverência e a consulta constante aos mais velhos com uma efetiva delegação de poder e de responsabilidade aos mais jovens. Em resumo, significa reunir a comunidade em torno da sinagoga com o judaísmo e tradições. |