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A migração da comunidade e a Fundação Monte Sinai
A construção da sinagoga da Rua Piauí refletiu uma significativa mudança da geografia da comunidade em São Paulo. No início da década de 50, as famílias foram deixando a Mooca em direção a outros bairros. A maioria estabeleceu-se no bairro do Ipiranga, enquanto outros foram morar nas imediações da Avenida Paulista e em Higienópolis. No final dos anos 60 muitas famílias já moravam em Higienópolis, que aos poucos passou a ser o centro da vida comunitária. A comunidade sentiu a necessidade de construir uma nova sinagoga, para que as pessoas não tivessem que se deslocar até a Mooca nos dias de Yom Tov e Shabat.
Linda Nigri lembra que sua família mudou-se para a Avenida Dom Pedro, no Ipiranga, assim como as famílias Politi, Kalili, Zeitune, Nigri, Hadid, Cohen, Gamal e outros. Ali eles passaram a ter amizades com as famílias ashkenazim e faziam festas em conjunto.
O bairro de Higienópolis, reduto da aristocracia cafeeira desde o final do século XIX, viveu um boom imobiliário a partir dos anos 50 com a intensa construção de prédios de apartamentos amplos e confortáveis. A família de Tuffy e Esther Dana Kalili foi uma das primeiras a se mudar para Higienópolis. Esther lembra que desde o início a comunidade quis construir uma nova sinagoga.
"Os freqüentadores das sinagogas da Mooca mudaram de residência e em Yom Kipur havia o problema de andar de carro até a Mooca", conta Joseph Meyer Nigri, que após ter se mudado para Higienópolis, antes da construção da sinagoga da Rua Piauí, alugava dois quartos para a família em um hotel a 2 km da sinagoga da Mooca e ficava lá até o fim do feriado religioso.
Era clara a necessidade de se construir uma sinagoga em Higienópolis. A Rua Piauí foi logo escolhida por se situar no núcleo central do bairro.
O lançamento da pedra fundamental da Congregação Monte Sinai deu-se em 2 de junho de 1971, com a participação de Alberto Meyer Nigri, Asslan Kalili, Assilan Meyer Nigri, David Murad Cohen, Elias Kalili, Elias Politi, Esther Kalili, Joseph Meyer Nigri, Marco Nigri e Salim Zeitune. Cada um dos dez fundadores doou 10% do valor do imóvel situado à Rua Piauí, 624.
A primeira reunião da Congregação Monte Sinai deu-se na na Rua Itambé, 315, formando-se uma chapa de diretoria que foi aprovada por unanimidade. O presidente era Assilan Meyer Nigri, o vice-presidente era Elias Kalili, como secretários estavam Elias Politi e Emanuel Cohen, os tesoureiros eram Asslan Kalili e Marco Nigri; como vogais estavam Alberto Meyer Nigri, Salim Zeitune, Joseph Meyer Nigri e Eduardo Kalili.
Entre os objetivos de criação da Congregação, destacam-se: a difusão dos valores da religião e história judaicas, organizar e manter serviços religiosos do rito sefaradi, manter ensino religioso e do hebraico, realização de cerimônias, congregar os sócios, efetuar serviços de assistência e beneficência social e cooperar com demais segmentos da comunidade judaica.
O anteprojeto dos estatutos, que regulamenta o funcionamento da Congregação, foi formulado por Alberto Meyer Nigri, Elias Politi e Nissim Cohen. Foram criadas três instâncias de órgãos diretivos: Assembléia Geral, Conselho Consultivo e Diretoria.
A construção da sinagoga foi realizada em quatro estágios, conta Joseph Meyer Nigri, engenheiro responsável pela obra, e foi feita exclusivamente com recursos internos à própria comunidade, sem qualquer doação ou empréstimo externo.
A construção das mikvot, de mulheres, de homens e de utensílios, foi um dos aspectos mais complexos da obra, lembra Joseph Meyer Nigri. A obra foi definitivamente encerrada após a aprovação do Grão Rabino de Israel, Ovadia Yossef, que, em visita ao país, foi recepcionado na Congregação Monte Sinai. |